Posts de Julho, 2009

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Beleza e delicadeza

28/07/2009

Foto: Lisa Warninger

A cena, a maquiagem, o vestido, as flores, os livros. As páginas ao fundo. Só não gostei dos ombros arqueados, parece que ela está carregando o mundo nas costas. E uma hora a gente tem de carregar só a gente, e deixar o mundo seguir sozinho.

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Curtinhas – 3

26/07/2009

Há quatro meses eu cortei mais de 30cm do meu cabelo. Ele cresceu rápido, quis cortar de novo, levei uma foto para o cabeleireiro fazer igual e ficou muito curto. Culpa minha, não dele. Agora eu estou assim. Ainda bem que a Maria Flor é uma fofa, mas eu combino com um cabelo um pouquinho mais comprido.

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Outro dia, passeando em uma livraria, parei na seção de revistas. Em todas as capas, mulheres magras demais. O rosto fundo, além do blush fazendo o truque da magreza. É bonito isso? Sério mesmo? É tão mais bonito um rosto em que aparecem bochechas em vez de ossos. Eu sou assim e acho lindo.

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Comecei a diminuir o meu tempo na Internet. Já caiu pela metade e o intuito é diminuir ainda mais. Sobra tanto tempo para ler, cozinhar, passear, pensar na vida…

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Eu não gosto de homens galanteadores. Invariavelmente, eles perdem o respeito em algum momento, pois acham que podem cantar qualquer mulher, do jeito que quiserem, não importa onde estejam. Tampouco importa se você está presente. E eu não quero isso para mim.

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Há paixões que surgem em uma aula

25/07/2009

No Dos passos da bailarina fiz um post sobre Carmen. O foco é ballet, então a Maria Callas ganhou só um link. Mas ela merece mais. Eu quero é vê-la cantando aqui…

Eu conheci a ópera no primeiro ano da faculdade, em 1998, nas aulas de Psicologia. O meu professor era um apaixonado por música clássica e acabou inserindo a história em alguma aula sobre algo que esqueci. Mas lembro claramente dele traduzindo o refrão de Habanera: “Se você me ama, eu não te amo. Se eu te amo, é melhor tomar cuidado!”. Não me esqueço até da expressão que ele fez. Daquele dia em diante, eu também me apaixonei por Carmen.

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A história da ópera, aqui.

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O senhor e os cachorros

23/07/2009

Pouco antes das sete horas da manhã, vários cachorros começam a latir incessantemente na rua. Eu nem noto, acontece sempre. Minha mãe entrou no meu quarto, abriu a janela e disse: “Você conhece aquele homem? Ele vem trazer comida para os cachorros todo dia de manhã”. Fui olhar e vi um senhor puxando um carrinho, e vários cachorros atrás dele. Momentos depois, o silêncio. Morador do meu bairro, ele alimenta os cachorros que moram nas ruas próximas. Todo santo dia. De repente, me peguei emocionada. Graças a Deus, ainda há salvação.

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Da minha poeta preferida

21/07/2009

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Adélia Prado, Casamento

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Esse poema é de uma delicadeza imensa.