O Pablo, no seu excelente blog Cadê o Revisor?, fez uma entrevista comigo para a seção Eis o Revisor. Quem quiser ler, clique aqui.
Arquivo da categoria ‘Dos meus escritos’

Gato escaldado tem medo de água fria
28/09/2009Ela ainda não sabe. Como olhar para trás e não chorar? Ela ainda não consegue. Sempre disse aos outros que quando os dias caminham, o que passou ficou lá atrás. Adianta sofrer pelo que não tem volta? Ela acredita, mas não entende. Como pode continuar amando alguém e, mesmo assim, chorar de tristeza? Mágoa não passa tão rápido quanto o vento. Ela queria que sim. O passado não deixa de existir, só de atormentar. Marcas profundas não passam, cicatrizam. E o único jeito de seguir tranquila é aprender a olhá-las com resignação.

Das crianças
02/09/2009Antes das 8h da manhã, lá estava eu rumo ao posto de saúde do bairro. O sol iluminando a rua, poucos carros, um cachorro seguindo um menino indo para a escola de mãos dadas com o pai, uma menininha em pleno posto brigando com o bebedouro, não entendendo por que não conseguia beber água. Ela ficou lá um tempão, sentada em frente ao bebedouro conversando com ele. O menino transformando a garrafa d’água em carrinho. O bebê sorridente mesmo doente. Quando saí com remédios numa mão e uma receita médica na outra, senti uma imensa vontade de chorar. Essas crianças me mostraram o que desaprendi: encantar-se com o mundo mesmo sentindo dor.

O senhor e os cachorros
23/07/2009Pouco antes das sete horas da manhã, vários cachorros começam a latir incessantemente na rua. Eu nem noto, acontece sempre. Minha mãe entrou no meu quarto, abriu a janela e disse: “Você conhece aquele homem? Ele vem trazer comida para os cachorros todo dia de manhã”. Fui olhar e vi um senhor puxando um carrinho, e vários cachorros atrás dele. Momentos depois, o silêncio. Morador do meu bairro, ele alimenta os cachorros que moram nas ruas próximas. Todo santo dia. De repente, me peguei emocionada. Graças a Deus, ainda há salvação.

Das histórias desconhecidas
12/07/2009A minha tia me contou: a minha avó paterna fazia vestidos de noiva. Isso aconteceu muito antes da minha chegada ao mundo. Se um dia eu me casar, ela não fará o meu vestido, pois faleceu há 11 anos. E os meus olhos se encheram de lágrimas.

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