Cantadas ofendem

Internet, Sociedade

De qualquer forma, acho que galanteadores e agressores se parecem: cada um deles, a sua maneira, acha que tem o direito de dizer o que pensa a uma mulher estranha. Pode ser um elogio físico ou uma grosseria sexual, não importa. Em geral, trata-se daquilo que os americanos, apropriadamente, chamam de “atenção não solicitada”. Indesejada, na verdade. […]

Esse assédio sobre as mulheres acontece à luz do dia, na porta do trabalho, na travessia de pedestres, dentro do ônibus. Às vezes o tom de voz do sujeito ou as coisas que ele diz amedrontam. Outras vezes dá asco ou dá vergonha. Nas baladas pode ser pior: o garanhão de calça agarradinha chega apertando o braço da moça, mexendo no cabelo, forçando a barra. Não aceita não como resposta. Mas quem deu licença a ele para dizer coisas e tocar o corpo de uma mulher desconhecida? [grifo meu]

Nós, homens, demos licença. A cultura machista nos dá licença.

[…] Não faz sentido, em pleno século 21, que nossas filhas, namoradas, irmãs ou amigas tenham de andar pelo mundo com os olhos no chão porque um bando de homens não se aguenta nas calças.

Ivan Martins, trechos do texto Cantadas ofendem.
Para ler o texto completo, clique aqui.

*

Mais de uma vez eu ouvi, sem querer, homens comentando com outras mulheres que quando trens e ônibus estão lotados eles dão uma “aproveitadinha” na situação. Leia-se: está lotado, eu aperto ou passo a mão, mesmo! Riem e acham graça, como se fosse algo normal.

Eu já passei por situações tão constrangedoras que, uma vez, eu chorei na plataforma do metrô. Sem falar nos absurdos que ouvimos e temos de sorrir, afinal, “é um elogio, não gostou por quê?”.

Não, rapazes. Não é elogio. É desrespeito. Aprendam, de uma vez, a não invadir o espaço que uma mulher não lhe deu.

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10 comentários sobre “Cantadas ofendem

  1. Muito bom um teste que um programa qualquer de TV fez nas ruas de SP. Colocaram uma modelo gostosona na rua e 99,9% dos homens olharam para a bunda dela e alguns até soltaram alguma cantada. Depois, puseram essa mesma modelo para passar a cantada nos homens, cujas reações foram de um grande susto até um sorrisinho meio sem graça, de canto de boca. Os repórteres entrevistavam os “felizardos” logo após a cantada e eles se diziam constrangidos, surpresos, afinal aquilo só podia ser uma brincadeira, não é mesmo? Por quê?, perguntou o repórter. Porque isso é “atitude de homem”, disse um deles. “Mulheres geralmente não fazem esse tipo de coisa. Ainda mais no meio da rua!”, ainda complementou! Se a moda pega, eles vão aprender rapidinho a se comportar!

  2. É triste mesmo. Hoje eu ouvi uma “cantada” que achei de última: o cara olhou pra mim e largou – e eu casado com aquela gorda…
    Que é isso, meu Deus?? Quem ela pensa que vai agradar falando mal da própria esposa?

  3. Concordo com você. Inclusive falei disso outro dia lá no blog.

    Abraço

  4. Acho ridículo esses caras. Concordo com você,é um desrespeito. O problema é que esses seres do sexo masculino – porquê não podem ser considerados homens,uma vez que para ser homem é necessário ser humano,coisa que não são – tem como referencial de contato íntimo as relações sexuais interpretadas na pornografia,aonde a mulher é amplamente violentada em vários sentidos além do sexual.
    Sobre o comentário da Carol,logo antes do meu,eu acho que o problema é a falta de respeito. É normal que achemos pessoas bonitas,atraentes. É normal também que admiremos essas pessoas. O problema é quando essa admiração é desrespeitosa e ofensiva. Em outras palavras: não creio que o erro tenha sido reparar na bunda dela,mas sim fazer isso de maneira constrangedora,

  5. Cooomo eu detesto essas coisas.
    Sabe, e é a “lei dos homens” fazer esse tipo de coisa.
    Não sei você, Cassia, mas eu fico de péssimo humor quando acordo, ou seja, pela manhã. Tenho que tirar momentos pra mim, e um deles é o meu silêncio. Mas existem CANALHAS que usam da sorte que Deus lhes deu e fazem comentários DESAGRADÁVEIS pra nós durante esse período. Gente, como eu odeio. Mas ao contrário de você (e que inveja eu tenho de você ser mulherzinha e eu não), eu NÃO CHORO, e juro… METO O BRAÇO. Não to nem ai. Se tiver ao meu alcance eu solto a linda frase de sempre: “Querido, não to fazendo caridade”.. E se vier com uma historinha de me tocar, EU TOCO TBM. Já aconteceu de passarem a mão no meu lindo e pequeno bumbum.. não deu outra, os socos saíram por todos os lados. NAda de tapas. SOCOS MESMO, e um grito de “Tarado! Tarado!” e claro, vou pra cima como se fosse homem. Se apanhar? APANHEI, ué. Mas passar a mão aqui é porrada na hora.
    E tenho dito.

  6. Pow, eu acho que é bem diferente uma cantada de alguém te bulinar no ônibus. Eu acho que existem as “cantadas de pedreiro” e existem a cantadas. Eu realmente acho um absurdo alguém se aproveitar do sistema falido de transporte para estar apalpando uma mulher no ônibus, isso já é ao meu ver canalhice e crime também.
    É bem diferente de uma cantada, ao meu ver, pelo menos não tem nada demais elogiar o corte de cabelo novo de uma colega que se admire ou mesmo reparar em como ela está mais bonita com uma roupa nova.

  7. Olha, depende do elogio, Leonardo. Estamos falando justamente disto: muiiiiitos homens não sabem o limite entre um elogio e um deselogio deselegante. Aliás, se uma mulher elogia um homem, na maioria das vezes ele já acha que ela está “dando mole” pra ele. Por que a mulher não pode achar a mesma coisa? Sinceramente, eu não usaria o termo “cantada de pedreiro”, pejorativo ao extremo. Eu acho que cantada é cantada e ponto. Tem muito engravatado por aí que posa de bonzinho, santinho e é o maior “passa o rodo”! Tem um assim numa firma multinacional aqui de Brasília. E, meu Deus, passar a mão, em qualquer parte do corpo da mulher, já pode ser considerado atentado ao pudor!! Onde é que estamos, hein? Isso tudo nos EUA – país reconhecidamente neurótico e falso moralista – daria tribunal na hora! Fazer o quê? Elas desenvolveram a cultura do “há um muro entre mim e você”! Aí eles vêm para a America Latina, vão para a África e Ásia fazer “turismo sexual”. É triste porque as brasileiras somos vistas como “putas” no exterior.

  8. Concordo em genero, numero e grau! Aff pra esses homens. Eu ja perdi a conta de quantas vezes queria me arrumar para sair, mas como sabia que ia andar de metro ou de onibus preferia ir o mais normal possivel para nao chamar a atençao e nao ter que suportar certas coisas. é muito triste mesmo…
    (desculpa a falta de acento, mas esse comp nao tem os acentos hehehe) beijos e saudades 🙂

  9. Carol, “atitude de homem” foi o pior! Ele teria de acrescentar um “tosca” no meio da frase. É o fim essa mania de muitos homens em tratar mulher como objeto de deleite.

    *

    Vica, mas que grosseria, hein?! Eu tenho compaixão pela mulher que é casada com esse homem. Ela merecia um marido de verdade.

    *

    Revisora, o seu blog, certo? É que o link não apareceu aqui.

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    Júlio, fico tão feliz em ver um homem pensando assim! Eu concordo com você, não vejo problema algum em olhar, mas em faltar com o respeito. Isso que não dá para aceitar.

    *

    Naiane, eu também não sou a pessoa mais feliz do mundo pela manhã. 😛 E quisera eu agir igual a você! Uma vez também passaram a mão em mim… nem foi passar, foi pegar mesmo. Fui cumprimentar com um abraço uma pessoa que eu conhecia, no meio de várias outras, e o mancebo pegou lá como se fosse supernormal. Eu me afastei e fiquei completamente sem ação. Como pode? Quando fui me despedir, foi um tchau de longe. É um tipo de humilhação mesmo, difícil de explicar. A gente se sente um nada. Mas não foi dessa vez que chorei, mas tive vontade de enfiar o murro no nariz do cara. A gente passa por cada coisa, hein?! E, aposto, há quem deve achar exagero nosso.

    *

    Leonardo, sim, são coisas diferentes. Agora, lamento discordar, mas quem disse que gosto de um homem me cantar abertamente? Não importa se elogiou o meu cabelo ou a minha roupa, até porque, quem comenta somente sobre isso é mulher. Um homem quando fala do meu vestido quer dizer que estou linda. Reparar, tudo bem, agora falar abertamente? Não precisa. Eu, particularmente, não gosto, conheço muitas mulheres que não gostam, e prefiro que um homem guarde o comentário para si mesmo. Não precisa compartilhar comigo não, hehehe.

    *

    Carol, eu concordo com você, e acho que a maioria dos homens desconhece tal limite.

    *

    Marina, eu faço exaaaaaatamente a mesma coisa! Eu me visto mais normal porque ando de transporte público 99% das vezes e não quero passar desaforo. É triste, não? Precisamos de um carro, assim andaremos arrumadas e finas por aí, hehehe. 😉

    Beijos.

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