Amor, paixão e amizade

Sociedade

Meus pesquisados apontam três ingredientes presentes no casamento: amor, paixão e amizade. […] É preciso ter cuidado para não desequilibrar essas porções, já que uma grande dose de amizade poderia destruir o desejo sexual.

O amor se encontra entre a paixão e a amizade. É menos explosivo do que a primeira, mas menos morno do que a segunda. É mais tranquilo do que a paixão, mas menos seguro do que a amizade. […] A paixão, mais irracional, deve ser domada, mas não pode ser excluída do casamento. […]

Essa matemática complicada torna os casais reféns de lógicas contraditórias. Os pesquisados apontam como perigos para o casamento a rotina, a burocratização, a mesmice. Mas falam também da necessidade de fidelidade, segurança, tranquilidade.

O maior problema do casamento, dizem eles, é a morte do desejo sexual, já que este se alimenta da falta, da insegurança, da incerteza.

Como conciliar, então, amor e desejo sexual no casamento? Eis a questão.

Mirian Goldenberg, trechos de Amor, paixão e amizade.
Para ler o texto completo, aqui.

*
Sou uma exceção à regra. Para mim, desejo sexual e insegurança caminham em direções opostas. Nada mais excitante do que a segurança afetiva. Nada mais broxante do que a incerteza. Nada! Ou seja, tenho uma solução para o casamento perfeito. Mas, pelo visto, só eu. E não há relacionamento de uma pessoa só.

Anúncios

2 comentários sobre “Amor, paixão e amizade

  1. Não, Cássia, não é só você que pensa assim.
    *
    Assim que me casei, estava conversando com uma amiga, casada já há alguns anos, sobre a segurança e a vida sexual sem muitos delírios e fantasias, sem joguinhos. Era diferente daquela vida com que eu “tinha me acostumado” – um relacionamento doentio e em que sexo era a única base – o sexo dele, claro, porque eu era um objeto e não enxergava isso!
    *
    Essa minha amiga virou pra mim e disse: “Vocês não têm paixão, não têm fogo, é por isso. Como deve ser a vida sexual de vocês?!”.
    *
    Ela não entendeu nada do que eu disse! Achou que eu estava reclamando! Fiquei calada. Tomei aquilo como uma ofensa, mas preferi refletir about it.
    *
    Outro episódio foi um tio meu, nem íntimo é, chegou para mim e disse: “Esse rapazinho aí dá conta de você?!” Corei. Enraiveci. Contei até 1000. Respondi “O quê?! Como assim?!”. Ele percebeu a burrada e pediu desculpas.
    *
    Conversei com o kindo sobre isso. Ele é mais jovem que eu, mais baixo que eu, e isso, no início, era um grilo para mim. Mas o meu querido marido, 11 anos mais jovem, me disse “Carol, eu não estou nem aí pro que nossas famílias, nossos amigos, nossos vizinhos ou o planeta pensa de mim ou de nós. Eu quero é ficar com você e ponto! Eu amo você e ponto!”.
    *
    Depois disso, cheguei à conclusão de que minha vida sexual não diz respeito a ninguém e que as pessoas podem pensar o que quiserem, porque eu quero é ser feliz. Independentemente do que os outros achem sobre o que é ser feliz – se é ter sexo selvagem, com joguinhos e seduções e fantasias, ou um sexo maduro, tranquilo, respeitoso. Ser feliz pra mim é viver o que estou vivendo agora. E ponto.
    *
    É verdade que o amor é sereno. É verdade que a paixão cega a gente. É verdade que o sexo passional é diferente, mas já não estou tão certa se isso é o melhor que podemos viver como seres humanos. Ou seja, a minha verdade agora é outra. Eu sou feliz assim: casada, com uma rotina (inclusive sexual), com um amigo e companheiro fiel e leal, pois foi isso que sempre quis. Agora tenho.
    *
    Se um dia eu não estiver mais feliz, ou ele não estiver mais feliz, nos separamos (na torcida para isso não acontecer, claro!). E não existe receita para casamento! Nem para a vida! Existem aprendizados diários. Existe amadurecimento.
    *
    As pessoas têm um discurso – que geralmente é o que a sociedade quer ouvir – e outra prática – que geralmente é o que a sociedade prega como certo. E acabam se esquecendo de “ouvir a voz que vem do coração”.
    *
    O maior problema do casamento não é a morte do desejo sexual, é a falta de amadurecimento do ser humano para lidar com o que ele quer e com o que ele deseja – com as escolhas. É saber diferenciar desejo de aspiração. Além das outras questões socioculturais em relação ao sexo, que escravizam as pessoas e elas nem se dão conta.

    Um beijo 😀

  2. No campo dessas discuções há espaço para todos os argumentos, porque falamos de universos de comportamentos e ideologias…
    Também não acredito que o desejo se alimenta da falta, da insegurança e da incerteza. O medo de perder é consequência natural quando se tem algo que desejamos com intensidade.
    Com certeza a segurança torna o desejo muito mais intenso e prazeroso.
    Tenha um aprazível domingo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s