O boom do ego

Internet, Literatura

[…] a experiência contemporânea espelha o modo de existir e interagir na rede. Um meio onde todos são estimulados a dizer o que pensam e narrar o que vivem, e onde a aparência geral é a de diversidade de ideias, mas o que há na maioria das vezes são monólogos que confirmam opiniões cristalizadas.

Num cenário assim, o próprio conceito de engajamento talvez tenha sido deslocado. Uma semana acompanhando as redes sociais é o suficiente para se empanturrar das palavras de ordem do momento, sejam elas sobre costumes ou realidade nacional. Seguir militando em tais esferas por meio da ficção perdeu parte de seu alcance e sentido: é redundante girar em torno de temas já tão repisados. O que dizer num romance sobre o mensalão, digamos, depois de meses de cobertura massiva? E como encontrar estímulo para o que em geral acaba sendo uma pregação para convertidos?

O compromisso da literatura, se é que existe algum, mantém-se em domínios menos acessíveis: a busca por uma voz particular, uma visão de mundo que não se confunde com nenhuma outra. […]

Michel Lab, trechos de O boom do ego.
Para ler o texto completo, aqui.

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