Me dá licença, minha senhora

Literatura

Falei em carência. Pior que carência é o súbito cansaço de tudo.

*

Ser gente me cansa. E também tenho raiva de sentir tanto amor inútil.

*

Há dias que vivo de raiva de viver. Porque a raiva me envivece toda: nunca me sinto tão alerta.

*

Por que é que eu escrevia com as entranhas e neste momento estou escrevendo com a ponta dos dedos?

*

Como se vê, isto não é uma coluna, é conversa apenas. Como vão vocês? Estão na carência ou na fartura?

Clarice Lispector, trechos de “Me dá licença, minha senhora”, em Correio feminino, p.145-147.

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