Desliga, se puderes

Sociedade

Por esta altura já toda a gente sabe ao pormenor o que se passou nos Estados Unidos. Vimos as filmagens das bombas a rebentar, o pânico, desespero e dor das pessoas, o sangue derramado nos passeios, inocentes sem pernas.

Por esta altura sabemos quantos perderam a vida no atentado na maratona de Boston. Sabemos quem eram, que idade tinham, o que faziam. Conhecemos os rostos. Já vimos uma mãe homenageando a falecida filha aos microfones do mundo. Partilhámos a sua dor porque somos pessoas comuns e a nossa capacidade de criar empatia com os outros não depende de nacionalidades. Mas já vimos o suficiente, obrigado.

Por isso é altura de desligar o televisor. Porque no mesmo dia da maratona de Boston, a explosão de um carro armadilhado matou 30 pessoas nos arredores de Bagdade. Porque no rescaldo do conturbado processo eleitoral na Venezuela morreram sete pessoas e dezenas ficaram feridas. Porque um terramoto ocorrido recentemente na fronteira entre o Irão e o Paquistão matou quase 80 e destruiu centenas de habitações. Porque na Síria morreram mais de 60 mil e 600 mil perderam as suas casas desde que começou a Guerra Civil, a janeiro de 2011.

E é preciso desligar o televisor porque não há câmaras de televisão, repórteres da CNN, bandeirinhas ensanguentadas ou histórias de heroísmo que me consigam convencer de que a morte de uns é mais importante do que a morte de outros.

Marcos Santos, em “Desliga, se puderes”.
O post, aqui.

Fonte: Suzana, Facebook.

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