A outra margem do rio

Literatura

No último encontro do clube de leitura da Penitenciária, falamos sobre O conto da ilha desconhecida, de José Saramago. […]

A discussão foi boa, com as meninas participando ativamente, e, à medida que a conversa avançava, uma delas começou a ler os seus apontamentos sobre o livro. Disse que a ausência do ponto de interrogação não fazia falta, que havia uma ideia de continuidade das orações, uma coisa de ritmo, e a constatação de que havia apenas seis parágrafos em todo o livro. E que a supressão de ponto final entre uma oração e outra não atrapalhava o entendimento. E realçava a elegância dos trechos que narravam o flerte entre dois personagens. “Que delicadeza.” Ela argumentava, eu acenava com a cabeça, concordando. No final, muito do que ela disse estava nas minhas anotações.

O modo como ela descortinou Saramago, contando sem alarde os seus achados, em nada se assemelhou aos personagens das campanhas de incentivo à leitura, que são muitas vezes de uma sublimação excessiva, que mais constrangem que estimulam quem não é leitor. Ali se tratava de um regozijo discreto, de um torpor momentâneo que aparece quando se lê uma frase, uma palavra bem posta, uma ideia que te representa ou desestabiliza. Ao leitor fica a impressão que aquilo que foi dito faz parte de sua existência, embora jamais tenha lhe ocorrido dizer a mesma coisa de modo tão preciso.

Vanessa Ferrari, trechos de “A outra margem do rio”.
Para ler o texto completo, aqui.

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