A caixinha rosa

Literatura, Sociedade

6) Certos cronistas tiram quase toda sua inspiração das supostas diferenças de gênero. Assim, suas sentenças, como era de se esperar, são bastante categóricas. O homem isso, a mulher aquilo. A mulher faz dieta assim, o homem assado. A mulher fala tal coisa quando está apaixonada, o homem tal outra. A mulher abre a porta fazendo pim, o homem fazendo blam. É claro que muitas mulheres ficam profundamente encantadas com tamanha sensibilidade (sic) do cronista. Mas o derretimento feminino por um homem que, enfim, “compreende as mulheres”, só mascara o velho problema das caixinhas dos gêneros. O cronista que ama amar as mulheres está na verdade apaixonado por si mesmo ou, melhor dizendo, por essa construção, alimentada semanalmente, de heartbreaker irresistível com escavador de almas femininas.

7) Como se o funcionamento das caixinhas não fosse redutor o suficiente, deixando de lado tanto o que nos une (como seres humanos) quanto o que nos separa (como indivíduos diferentes um do outro), ocorre que a caixinha rosa é muito mais apertada que a caixinha azul. […]

Carol Bensimon, trechos de “A caixinha rosa”.
Para ler o texto completo, aqui.

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