Adélia Prado e a tristeza

Literatura

“É preciso viver a tristeza, ela faz parte da vida, assim como a alegria”, foi o que ela falou a respeito de si própria, de uma depressão que teve, depressão essa que durou dois anos, durante a qual “Deus lhe tirou a poesia”. Ah, que belas e duras as palavras de Adélia, que faz poesia até quando não faz, até quando fala.

Hoje em dia, todo mundo tem muito medo da tristeza. Hoje em dia, medica-se a tristeza como se doença ela fosse ─ a tristeza, quando vem, assim como a dor de cabeça ou a dor de ouvido, é um aviso de que alguma coisa, grande ou pequena, não está bem. Por que é que a gente não escuta mais a nossa tristeza, por que é que temos de calá-la, esta visita inesperada, resmungona, teimosa, antes que ela nos diga, afinal de contas, a que veio? Às vezes, um bom e honesto papo com a tristeza pode nos levar adiante ─ e o que é a vida, senão um eterno dobrar de esquinas, uma caminhada surpreendente na qual mudam as paisagens, os sonhos e as companhias ─ encontrar a tristeza numa ruazinha da existência e dar uma ou duas voltas na quadra de mãos dadas com ela pode ser difícil, mas também renovador.

Leticia Wierzchowski, trechos de “Adélia Prado e a tristeza”.
Para ler o texto completo, aqui.

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