O livro e o filme: O Mágico de Oz

Cinema, Literatura

Texto publicado originalmente no Cineclube do Cinco, na coluna “O livro é melhor que o filme?”.

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(Há alguns spoilers, mesmo assim, o texto não acabará com a graça daqueles que não assistiram ao filme ou não leram o livro.)

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Livro: O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz), L. Frank Baum, Editora Zahar.
Filme: O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), direção de Victor Fleming, 1939.

O Mágico de Oz lançado em 1939 é uma adaptação do livro homônimo publicado em 1900, o primeiro de uma série de 13 livros.

Este foi o primeiro filme que assisti na vida. Eu era uma menina e, por incrível que pareça, ainda me lembro daquele momento. Li o livro quase 30 anos depois, para escrever este texto. Reassisti ao filme em seguida e me senti novamente uma criança. Eu havia viajado à Oz duas vezes, de maneiras bem diferentes.

Falarei brevemente sobre um exemplo de como é possível duas obras − literária e cinematográfica − estarem em pé de igualdade; não só, que adaptações de livros podem ser bem-realizadas mesmo com mudanças significativas na história.

O básico todos nós conhecemos: Dorothy é uma menina moradora do Kansas e, graças a um ciclone, ela e seu amado cachorrinho Totó viajam à Terra de Oz. O que ela quer é voltar para casa mas, para isso, deverá encontrar o Grande Mágico, o único que poderá resolver o seu problema. No caminho, ela encontra um espantalho, que deseja um cérebro; um homem de lata, que almeja um coração; e um leão covarde, que quer ter coragem. Eles seguem juntos para a Cidade das Esmeraldas a fim de realizarem os seus desejos.

No livro, a Cidade das Esmeraldas é um lugar bem distante. Eles passam por muitos percalços e encontram vários personagens pelo caminho. Há quatro bruxas e todas elas aparecem na história; apenas nos capítulos finais uma delas se torna a grande antagonista, a Bruxa Má do Oeste. Conhecemos os três companheiros de Dorothy mais a fundo. Descobrimos outros países e histórias de outros personagens. A Terra de Oz fica sendo nossa grande conhecida. Além disso, nada nos dá a entender que Dorothy está sonhando. É como se ela realmente estivesse em Oz.

No filme, a cidade é logo ali e não há tantos problemas. Desde o princípio, a Bruxa Má do Oeste é a antagonista e a responsável pelos obstáculos do caminho. O início é ampliado, conhecemos um pouco da vida de Dorothy e das pessoas com quem convive. Adiante, serão elas as principais personagens daquela terra distante. Por fim, é evidente que Dorothy bateu a cabeça e tudo não passa de um sonho.

Tanto o livro quanto o filme são muito bem amarrados. Há informações que aparecem no começo, são retomadas no meio e mencionadas no final. Além disso, há coerência entre os acontecimentos. Mesmo cortando alguns capítulos e vários acontecimentos do livro, o filme conseguiu transformar vários elementos em outros, sem perder a essência da história e sempre a favor do roteiro. É uma aula de adaptação.

No filme, os sapatos mágicos são de rubi. No livro, eles são de prata. A mudança não foi aleatória, mas só descobrirá quem ler o livro.

Uma das características mais significativas da linguagem do cinema utilizada a favor da história é a fotografia. No livro, o autor fala diversas vezes como ao redor de Dorothy tudo é sem cor: a pradaria, a casa, a tia Em, o tio Henry, todos são cinzentos. No filme, em momento algum a palavra cinza é mencionada, nós vemos que ela existe. Quando Dorothy chega à Oz, as cores explodem nos nossos olhos. O mesmo encantamento que ela sente, nós também sentimos. Nenhum livro no mundo nos daria essa sensação.

Em compensação, um filme não daria conta de tantos meandros sem tornar-se cansativo. No filme, nós conhecemos Oz. No livro, nós vamos à Oz.

Tanto um quanto o outro são obras para serem reencontradas ao longo da vida, para afagar a criança que, de alguma maneira, sempre carregaremos conosco.

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O que apenas o cinema nos proporciona: Dorothy cantando “Somewhere Over the Rainbow” e Totó quietinho, dando um show de interpretação.

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