Que todos signifique todos

Literatura

A que lugares nos levam nossos privilégios, a que lugares não nos deixam ir?, se pergunta a poeta e ensaísta americana Adrianne Rich. Pagamos um preço muito alto para diminuir nosso contato com a dor dos demais; acreditamos, muitas vezes, que é melhor não pensar, não saber. Ilusão de insensibilidade, de autoanestesia que – imaginamos poderia nos proteger e, sobretudo, poderia proteger nossos filhos. Se a literatura nos permite entrar no coração do outro, então, evitá-la nos ajuda a viver anestesiados. A anestesia na leitura se constrói por um caminho de formas fixas, estereótipos que impedem penetrar a superfície dos textos e da vida. Assim, a indiferença pode nos acompanhar mesmo lendo. Histórias narradas em uma linguagem amável e inócua em oposição ao literário, cuja potência reside na possibilidade de nos inquietar, de nos conduzir às zonas inesperadas de nós mesmos.

[…]

A literatura é generosa para nós, profundamente democrática porque nos permite ingressar em seu universo a partir de nossa particularidade, e possibilita a cada um de nós encontrar um caminho próprio entre suas letras.

María Teresa Andruettto, trechos de “Que todos signifique todos”.
O excelente texto, que vale cada linha, aqui.

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