Quem estenderá a mão para você se levantar?

Escritos

Há muitos anos, li em um fanzine a seguinte frase: “A minha boca muda grita na sua orelha surda”. Nunca mais a esqueci. Tanto tempo depois, a frase continua latente. A necessidade de questionar – ou seria desqualificar? – as vivências das outras pessoas parece se impor ao dever de ouvir. Sim, ouvir é um dever. Mas, não, é preciso soltar ao mundo a própria opinião sobre as histórias alheias, como se isso fosse mais importante do que qualquer opressão e violência sofrida pelos outros. Machismo, racismo, homofobia, preconceito de classe, nada disso existe para muitas pessoas. Opressão? Não, chorume de vítima. Porque a porrada que dói nos outros continua sangrando longe dessa gente.

Se não quer ouvir por empatia, ouça por egoísmo. Porque um dia pode ser você quem vai sangrar, e ninguém vai te ouvir. Daí então, quem estenderá a mão para você se levantar?

Texto meu publicado no Facebook há seis anos, em 30 novembro de 2015.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s