Mulher artista resista

Cinema, Dança, Literatura, Música, Sociedade, Teatro

Escritora, continue escrevendo.
Musicista, continue compondo.
Atriz, continue atuando.
Grafitteira, continue rabiscando.
Pintora, continue colorindo.

Mulher artista: continue mesmo que as suas criações pareçam não caber no mundo. Mesmo sem plateia. Mesmo sem aplausos. Mesmo sem elogios.

Continue resistindo.

#mulherartistaresista

Texto e imagem de Natacha Orestes.

A Santa Joana dos Matadouros

Literatura, Teatro

BOCARRA A SLIFT
E fique sabendo que para mim é quase intolerável
[que exista gente
Como esta menina, sem nada de seu além de uma boina preta
E vinte centavos, e sem medo.

*

UM
Que gente é essa?

O OUTRO
Nenhum desses
Cuidou só de si
Passaram tormentos
Para dar pão a desconhecidos.

O PRIMEIRO
Por que tormentos?

O OUTRO
O injusto anda calmamente na rua mas
O justo se esconde.

Bertolt Brecht, trechos da peça “A Santa Joana dos Matadouros”.

Hamlet Machine

Teatro

“Eu sou Ofélia, aquela que o rio não conservou. A mulher na forca, a mulher com as veias abertas, a mulher com overdose, sobre os lábios de neve. A mulher com a cabeça no fogão a gás. Ontem, eu deixei de me matar. Estou só, com meus seios, minhas coxas, meu ventre. Destruo os instrumentos do meu cativeiro: a cadeira, a mesa, a cama. Destruo o campo de batalha que foi o meu lar. Escancaro as portas para que o vento possa entrar e o grito do mundo. Despedaço janela. Com as mãos sangrando, rasgo as fotografias dos homens que amei e se serviram de mim sobre a cama, a mesa, a cadeira, sobre o chão. Toco fogo na minha prisão, atiro minhas roupas ao fogo. E boto fogo no meu peito, o relógio que era meu coração. Vou para a rua.”

Trecho de Hamlet Machine, de Heiner Müller.

Fonte: site do filme Elena.

Obrigada, Shakespeare

Literatura, Teatro

William Shakespeare nasceu há exatos 450 anos, em 26 de abril de 1564. É raro alguém não conhecer algumas de suas obras, mesmo que nunca tenha lido uma linha sequer que ele escreveu.

Contei sobre minha relação com a sua obra no post sobre a série “Som e Fúria”, aqui. Ainda não existiu um outro dramaturgo que tenha me conquistado da mesma maneira.

Para comemorar a data, escrevi no blog Cineclube dos Cinco sobre a minha peça mais amada: “Romeu e Julieta”. Relacionei o texto e uma de suas melhores adaptações cinematográficas, a realizada por Franco Zeffirelli. Quem quiser ler, aqui.

Obrigada, Shakespeare. Você mudou a minha vida e jamais conseguirei agradecer à altura.

Olivia Hussey e Leonard Whiting em cena de “Romeu e Julieta”.