Uma palavra sobre estatísticas

Literatura

Em cada cem pessoas
Aquelas que sempre sabem mais:
cinquenta e duas.

Inseguras de cada passo:
quase todo o resto.

Prontas a ajudar,
desde que não demore muito:
quarenta e nove.

Sempre boas,
porque não podem ser de outra maneira:
quatro – bem, talvez cinco.

Capazes de admirar sem invejar:
dezoito.

Levadas ao erro
pela juventude (que passa):
sessenta, mais ou menos.

Aqueles com quem é bom não se meter:
quarenta e quatro.

Vivem com medo constante
de alguma coisa ou de alguém:
setenta e sete.

Capazes de felicidade:
vinte e alguns, no máximo.

Inofensivos sozinhos,
selvagens em multidões:
mais da metade, por certo.

Cruéis,
quando forçados pelas circunstâncias:
é melhor não saber
nem aproximadamente.

Peritos em prever:
não muitos mais
que os peritos em adivinhar.

Tiram da vida nada além de coisas:
trinta
(mas eu gostaria de estar errada).

Dobrados de dor,
sem uma lanterna na escuridão:
oitenta e três,
mais cedo ou mais tarde.

Aqueles que são justos:
uns trinta e cinco.

Mas se for difícil de entender:
três.

Dignos de simpatia:
noventa e nove.

Mortais:
cem em cem –
um número que não tem variado.

Wislawa Szymborska, em “Uma palavra sobre estatísticas”.

Fonte: daqui.

O que alimenta o mal?

Sociedade

“As pessoas mais violentas, e aquelas mais terroristas, elas têm uma preocupação muito grande com você. Elas não têm uma preocupação com eles mesmos, mas querem mudar o mundo, querem fazer o bem ao mundo. Querem mudar a maneira que você pensa, o que você come, a maneira que você faz suas escolhas, querem mudar o partido político que você está interessado e, pelo seu bem, eles podem até matar você. Porque se você não concordar com o seu ponto de vista, porque se você não concordar com a sua filosofia de vida, com os seus padrões e as suas escolhas, você precisa ser destruído porque o resto da humanidade pode ser pervertido pelo seu pensamento. Percebe como o mal aqui se disfarça de bem?”

Trecho do vídeo “O que alimenta o mal?”, Monja Coen.

O lugar de fala

Sociedade

“Manter-me em silêncio é também compactuar com as formas hegemônicas de opressão. O silêncio ele pode, por um lado, ser entendido como uma forma de respeito à experiência que só a outra pode ter, mas ela é também uma forma de compactuar com a hegemonia da desigualdade.”

Debora Diniz, antropóloga e professora, trecho do vídeo “O lugar de fala”.

My Beautiful Broken Brain

Cinema, Internet

Em 2011, Lotje sofreu um derrame cerebral. Desde então, ela perdeu funções básicas de linguagem e, em determinados momentos, “Comecei a ver esses flashes de cores… Sinto como se estivesse em um filme de David Lynch”. Ela entra em contato com ele que, no fim das contas, virou um dos produtores de My Beautiful Broken Brain.

Este documentário mostra o primeiro ano de Lotje depois do acontecido. Ao final, passamos a olhar algumas coisas de uma outra maneira: há mudanças que são para sempre.

Trailer de My Beautiful Broken Brain.