Fahrenheit 451

Literatura

Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com “fatos” que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente “brilhantes” quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia.

Ray Bradbury, trecho do livro “Fahrenheit 451”.

Ler em formato digital ou papel

Literatura

Sim, tornei-me uma adepta do livro digital. Não, não abandonei o livro de papel. Por quê cargas d’água uma coisa tem de excluir a outra? Inclino-me mais pelo abraçar todas as formas que me levem ao fundamental: ler.

É verdade que há toda aquela magia de entrar numa livraria e de folhear páginas. É também verdade que há toda uma apreciação do tipo de papel, capa e diagramação escolhida para uma edição. Sim, há uma certa beleza em vaguear pelos corredores de uma livraria e refugiar-me a um canto a ler o primeiro capítulo de um livro. Continuo a participar desta magia. Mas trata-se de forma. Embora válida e relevante, o importante para mim é a essência, que é ler. Neste sentido, o meio digital tem sido um paraíso na minha vida. Dado o meu trabalho e ritmo de vida, se eu dependesse somente do livro em formato papel, eu leria talvez um livro por mês, se tanto. Graças ao formato digital posso ler em qualquer lado. Através do computador, do portátil, do telemóvel, do tablet ou de um ereader.

Ler é o que me permite respirar. Não exagero quanto a isso. Quando fico algum tempo sem ler, o meu humor fica desestabilizado e os meus ombros parecem mais curvados. Sinto que os corredores da minha mente ficam empoeirados e sombrios. Num Fahrenheit 451 ou enlouqueceria ou seria uma resistente a esconder e decorar todos os livros que pudesse. A leitura é este espaço de sanidade e de liberdade que a minha mente precisa para respirar com regularidade e tranquilidade.

Reduzir a experiência de ler a um único formato é retirar à leitura e ao livro a sua grandeza.

Cátia Pereira, em “Ler em formato digital ou papel”.
O link do texto, aqui.

Lavoura arcaica

Literatura

“[…] a paciência há de ser a primeira lei desta casa, a viga austera que faz o suporte das nossas adversidades e o suporte das nossas esperas, por isso é que digo que não há lugar para a blasfêmia em nossa casa, nem pelo dia feliz que custa a vir, nem pelo dia funesto que súbito se precipita, nem pelas chuvas que tardam mas sempre vêm, nem pelas secas bravas que incendeiam nossas colheitas.”

Trecho de Lavoura arcaica, de Raduan Nassar.

É preciso ter coragem de estar sozinha

Sociedade

É preciso ter coragem de estar sozinha também. E sobre isso ninguém nos ensinou. Ninguém vai nos ensinar. Há uma normatividade rígida se impondo sobre a afetividade feminina, mas dessa vez não fala de castração. Simula liberação. Para que ela se efetive, é preciso produzir em massa uma ansiedade quanto ao sexo, um desespero por parceiros, uma incompletude que nos rouba de nosso protagonismo e nos aprisiona – sendo esse o mesmo mecanismo da sensação de insuficiência física produzida pela ditadura estética e da sensação de insuficiência emocional produzida pela cultura romântica. A quem a insuficiência sexual está servindo? A quem o patriarcado serve. Falar disso, embora seja claramente um questionamento sobre até que ponto nossos corpos e sentimentos são realmente e apenas nossos, fatalmente soará como moralismo. É assim que querem que vejamos.

Para continuar lendo o texto, aqui.

Maria Gabriela Saldanha, em “É preciso ter coragem de estar sozinha”.

Fonte: Geledés.

O Mercado de Notícias

Cinema, Sociedade

Uma das coisas bacanas do Facebook: duas pessoas da minha lista de amigos republicaram um trecho de um documentário. Fui procurá-lo, o encontrei e assisti ao filme completo. Ganhei o meu dia.

O mercado de notícias, de Jorge Furtado, é um documentário sobre jornalismo, especialmente o jornalismo praticado no Brasil. A linha condutora do filme é a peça homônima do dramaturgo inglês Ben Jonson, encenada pela primeira vez em 1626. Realidade e ficção se completam em uma excelente obra, daquelas que todos deveriam assistir.

Para saber mais, www.omercadodenoticias.com.br.
Para assistir ao filme completo, em um link não oficial, aqui.