Miopia, preconceito, falta de curiosidade: os vícios da Academia

Cinema

Se alguém me perguntar há quanto tempo eu assisto a filmes e acompanho cinema, não saberei precisar. Mas lembro de mim pequenina, em frente à televisão, assistindo a O mágico de Oz e absolutamente fascinada: talvez o amor tenha surgido aí.

Em relação ao Oscar, acompanho desde a adolescência. Assisto à cerimônia ao vivo até o fim e todo ano falo para mim mesma: vou desistir, cansei. No dia e hora marcados, lá estou eu.

Por fim, por um bom tempo da minha vida eu li críticas de cinema. Até curso eu fiz, onze anos atrás, com um renomado crítico e senti que perdi dinheiro (o crítico em questão entende muito do assunto, mas a sua soberba suplanta qualquer conhecimento). Aí vieram os canais de resenha na internet e aquela maneira adolescente de falar, aliada ao conhecimento raso, não era para mim. Até o dia em que encontrei o canal da Isabela Boscov. Eu a conhecia dos tempos de revista Veja, mas raramente a lia. Que maravilha os seus vídeos, um melhor que o outro.

Reunindo cinema, Oscar e crítica, vim compartilhar este excelente vídeo da Isabela Boscov, “Miopia, preconceito, falta de curiosidade: os vícios da Academia”. Ela vai além do prêmio, analisa a atual crise do cinema e termina de maneira brilhante. Ela conseguiu me lembrar por que amo tanto cinema.

Isabela Boscov, “Miopia, preconceito, falta de curiosidade: os vícios do Oscar”, 13 fev. 2022

Ya ni cerramos los ojos

Dança, Literatura

A poesia e a dança reunidos em um vídeo para acalentar os corações entristecidos. Bonito e delicado.

O texto está em espanhol, mas é possível compreendê-lo sem legendas. Além da coreografia, de Freya Bustamante, também publiquei apenas o poema. Em ambos os casos, a narração é de Patricia Benito, a própria autora do poema, e a música é de Iñaki Quijano.

Patricia Benito | Ya Ni Cerramos Los Ojos | Concepto de Freya Bustamante, 21 out. 2021

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Patricia Benito – Ya ni cerramos los ojos, 1 dez. 2019.

A peste da insônia

Literatura

“[…] O mais temível da doença da insônia não era a impossibilidade de dormir, pois o corpo não sentia cansaço nenhum, mas sim a sua inexorável evolução para uma manifestação mais crítica: o esquecimento.”

Gabriel García Márquez, em “Cem anos de solidão”.

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Quem quiser assistir à narração em espanhol da passagem completa da peste da insônia, clique aqui. Há legendas em português.

A testemunha

Teatro

“A testemunha não é quem enfia por toda a parte o nariz, quem se esforça para ficar o mais próximo possível, ou por intrometer-se nas ações dos outros. A testemunha mantém-se levemente à parte, não quer se misturar, deseja estar consciente, ver o que acontece do início ao fim, e guarda na memória; a imagem dos eventos deveria permanecer dentro dela […] eis a função da verdadeira testemunha, não se intrometer com o próprio mísero papel, com aquela importuna demonstração ‘eu também’, mas ser testemunha – ou seja, não esquecer, não esquecer, custe o que custar.”

Jerzy Grotowski, no artigo “Teatro e ritual”.

Round 6

Séries

Quem assina a Netflix ou usa as redes sociais com frequência, dificilmente passou incólume pela série Round 6 (2021). Pode não tê-la assistido, mas sabe que ela existe.

Eu não gosto de filmes e séries de gincanas em que a derrota implica em uma morte. Não assisto, passo longe, não quero saber. Porém, resolvi abrir uma exceção neste caso, pois gostei de todas as obras coreanas que já assisti. A conclusão? Que grande série!

Trailer Round 6 (2021), Netflix, set. 2021.

Não se deixe levar pela primeira impressão ao assistir ao trailer. A série apresenta diversas nuances, muitos questionamentos e dificilmente alguém chegará ao final sem algum incômodo, uma sensação de que estamos perdidos. Muito perdidos.

Round 6 (2021) não é uma série fácil de assistir, mas vale muito a pena, muito mesmo.

A Isabela Boscov, a única crítica que acompanho, fez um ótimo vídeo sobre a série. Quem quiser mais argumentos para assistir, aqui está.

“Round 6”: no jogo da Netflix, os coreanos entram para ganhar, Isabela Boscov, out. 2021.