Quem estenderá a mão para você se levantar?

Escritos

Há muitos anos, li em um fanzine a seguinte frase: “A minha boca muda grita na sua orelha surda”. Nunca mais a esqueci. Tanto tempo depois, a frase continua latente. A necessidade de questionar – ou seria desqualificar? – as vivências das outras pessoas parece se impor ao dever de ouvir. Sim, ouvir é um dever. Mas, não, é preciso soltar ao mundo a própria opinião sobre as histórias alheias, como se isso fosse mais importante do que qualquer opressão e violência sofrida pelos outros. Machismo, racismo, homofobia, preconceito de classe, nada disso existe para muitas pessoas. Opressão? Não, chorume de vítima. Porque a porrada que dói nos outros continua sangrando longe dessa gente.

Se não quer ouvir por empatia, ouça por egoísmo. Porque um dia pode ser você quem vai sangrar, e ninguém vai te ouvir. Daí então, quem estenderá a mão para você se levantar?

Texto meu publicado no Facebook há seis anos, em 30 novembro de 2015.

Ya ni cerramos los ojos

Dança, Literatura

A poesia e a dança reunidos em um vídeo para acalentar os corações entristecidos. Bonito e delicado.

O texto está em espanhol, mas é possível compreendê-lo sem legendas. Além da coreografia, de Freya Bustamante, também publiquei apenas o poema. Em ambos os casos, a narração é de Patricia Benito, a própria autora do poema, e a música é de Iñaki Quijano.

Patricia Benito | Ya Ni Cerramos Los Ojos | Concepto de Freya Bustamante, 21 out. 2021

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Patricia Benito – Ya ni cerramos los ojos, 1 dez. 2019.

A peste da insônia

Literatura

“[…] O mais temível da doença da insônia não era a impossibilidade de dormir, pois o corpo não sentia cansaço nenhum, mas sim a sua inexorável evolução para uma manifestação mais crítica: o esquecimento.”

Gabriel García Márquez, em “Cem anos de solidão”.

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Quem quiser assistir à narração em espanhol da passagem completa da peste da insônia, clique aqui. Há legendas em português.

A testemunha

Teatro

“A testemunha não é quem enfia por toda a parte o nariz, quem se esforça para ficar o mais próximo possível, ou por intrometer-se nas ações dos outros. A testemunha mantém-se levemente à parte, não quer se misturar, deseja estar consciente, ver o que acontece do início ao fim, e guarda na memória; a imagem dos eventos deveria permanecer dentro dela […] eis a função da verdadeira testemunha, não se intrometer com o próprio mísero papel, com aquela importuna demonstração ‘eu também’, mas ser testemunha – ou seja, não esquecer, não esquecer, custe o que custar.”

Jerzy Grotowski, no artigo “Teatro e ritual”.

Round 6

Séries

Quem assina a Netflix ou usa as redes sociais com frequência, dificilmente passou incólume pela série Round 6 (2021). Pode não tê-la assistido, mas sabe que ela existe.

Eu não gosto de filmes e séries de gincanas em que a derrota implica em uma morte. Não assisto, passo longe, não quero saber. Porém, resolvi abrir uma exceção neste caso, pois gostei de todas as obras coreanas que já assisti. A conclusão? Que grande série!

Trailer Round 6 (2021), Netflix, set. 2021.

Não se deixe levar pela primeira impressão ao assistir ao trailer. A série apresenta diversas nuances, muitos questionamentos e dificilmente alguém chegará ao final sem algum incômodo, uma sensação de que estamos perdidos. Muito perdidos.

Round 6 (2021) não é uma série fácil de assistir, mas vale muito a pena, muito mesmo.

A Isabela Boscov, a única crítica que acompanho, fez um ótimo vídeo sobre a série. Quem quiser mais argumentos para assistir, aqui está.

“Round 6”: no jogo da Netflix, os coreanos entram para ganhar, Isabela Boscov, out. 2021.

Agora

Dança

Agora (2019), de Cassi Abranches, é uma obra coreográfica criada originalmente para a São Paulo Companhia de Dança. Eu tive o privilégio de assistir ao ensaio na sede da companhia e à apresentação no Teatro Sérgio Cardoso. É um dos meus grandes amores da dança, sou apaixonada por essa obra, e também pelo trabalho da Cassi Abranches.

Pois neste fim de semana, Agora (2019) será transmitida online como parte da temporada 2021 da São Paulo Companhia de Dança, juntamente com o segundo ato do meu repertório preferido, Giselle (1840). As transmissões acontecerão no canal do YouTube da Companhia (aqui).

Quer assistir?
Sábado, 2 out., às 20h, neste link.
Domingo, 3 out., às 17h, neste link.

Atenção: as apresentações não ficarão gravadas, só será possível assisti-las no momento da exibição.

Sério, assistam! Depois me contem o que acharam.

Trailer de Agora (2019), Cassi Abranches, São Paulo Companhia de Dança.