O lugar de fala

Sociedade

“Manter-me em silêncio é também compactuar com as formas hegemônicas de opressão. O silêncio ele pode, por um lado, ser entendido como uma forma de respeito à experiência que só a outra pode ter, mas ela é também uma forma de compactuar com a hegemonia da desigualdade.”

Debora Diniz, antropóloga e professora, trecho do vídeo “O lugar de fala”.

My Beautiful Broken Brain

Cinema, Internet

Em 2011, Lotje sofreu um derrame cerebral. Desde então, ela perdeu funções básicas de linguagem e, em determinados momentos, “Comecei a ver esses flashes de cores… Sinto como se estivesse em um filme de David Lynch”. Ela entra em contato com ele que, no fim das contas, virou um dos produtores de My Beautiful Broken Brain.

Este documentário mostra o primeiro ano de Lotje depois do acontecido. Ao final, passamos a olhar algumas coisas de uma outra maneira: há mudanças que são para sempre.

Trailer de My Beautiful Broken Brain.

A trapezista do circo

Literatura

“Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora, eu queria ser trapezista. Minha paixão era o trapézio, me atirar lá do alto na certeza de que alguém segurava minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase, cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo, do que não ficava para sempre. Era outra vez, outro circo, ciganos e patinadores. O circo chegou a cidade era uma tarde de sonhos e eu corri até lá. Os artistas, eles se preparavam nos bastidores para começar o espetáculo, e eu entrei no meio deles e falei que eu queria ser trapezista. Veio falar comigo uma moça do circo que era a domadora, era uma moça bonita, forte, era uma moçona mesmo. Ela me olhou, riu um pouco, disse que era muito difícil, mas que nada era impossível. Depois veio o palhaço Poli, veio o Topz, veio o Diverlangue que parecia um príncipe, o dono do circo, as crianças, o público. De repente apareceu uma luz lá no alto e todo mundo ficou olhando. A lona do circo tinha sumido e o que eu via era a estrela Dalva no céu aberto. Quando eu cansei de ficar olhando para o alto e fui olhar para as pessoas, só aí, eu vi que eu estava sozinha.”

Antônio Bivar, em “A trapezista do circo”.