Lost Things

Este vídeo fez bastante sucesso quando foi lançado. Eu o reencontrei por acaso e só então descobri que não o publiquei aqui. Questão resolvida. Ele é lindo que só!

Vai chegar o dia…

…em que você vai parar de chorar; a tempestade vai passar; e as coisas vão parecer bonitas de novo.

E isso vai ser no mesmo dia em que você vai se dar conta de que não perdeu nada que fosse de extrema necessidade na vida: seja um emprego que você detestava; sejam amigos que não eram tão amigos; seja um amor que parecia eterno, mas não tava mais te fazendo bem.

Para continuar lendo o texto, aqui.

Vitória Scritori, em “Vai chegar o dia…”.

Presságio

VI

Água esparramada em cristal,
buraco de concha,
segredarei em teus ouvidos
os meus tormentos.
Apareceu qualquer cousa
em minha vida toda cinza,
embaçada, como água
esparramada em cristal.
Ritmo colorido
dos meus dias de espera,
duas, três, quatro horas,
e os teus ouvidos
eram buracos de concha,
retorcidos
no desespero de não querer ouvir.

Me fizeram de pedra
quando eu queria
ser feita de amor.

Hilda Hilst, em “Presságio”.

Fonte: Instituto Hilda Hilst.

Hamlet Machine

“Eu sou Ofélia, aquela que o rio não conservou. A mulher na forca, a mulher com as veias abertas, a mulher com overdose, sobre os lábios de neve. A mulher com a cabeça no fogão a gás. Ontem, eu deixei de me matar. Estou só, com meus seios, minhas coxas, meu ventre. Destruo os instrumentos do meu cativeiro: a cadeira, a mesa, a cama. Destruo o campo de batalha que foi o meu lar. Escancaro as portas para que o vento possa entrar e o grito do mundo. Despedaço janela. Com as mãos sangrando, rasgo as fotografias dos homens que amei e se serviram de mim sobre a cama, a mesa, a cadeira, sobre o chão. Toco fogo na minha prisão, atiro minhas roupas ao fogo. E boto fogo no meu peito, o relógio que era meu coração. Vou para a rua.”

Trecho de Hamlet Machine, de Heiner Müller.

Fonte: site do filme Elena.

Passage

Quando assistimos a um vídeo por acaso e ele nos surpreende. Adoro quando a dança sai do palco e é mostrada dessa maneira.

Passage
Direção: Fabrizio Ferri
Bailarinos: Roberto Bolle e Polina Semionova
Música: Fabrizio Ferri
Coreografia: Marco Pelle

O mundo da gente morre antes da gente

É essa a morte silenciosa que vai se alastrando pelos dias. Conto meus imortais ainda vivos, os de longe e os de perto. Digo seus nomes, como se os invocando. Peço que não se apressem, que não me deixem só, que não me deixem sem saber de mim. O acaso, a vida que muda num instante, me assusta tanto quanto esse meu mundo que morre devagar. É essa a brisa quase imperceptível que adivinho soprando nos meus ossos. Muitas vezes finjo que não a escuto. Mas ela continua ali, intermitente, sussurrando para eu não esquecer de viver.

Eliane Brum, trecho de “O mundo da gente morre antes da gente”.
Para ler o texto completo, aqui.

Fonte: Laís, Twitter.