De qualquer forma, acho que galanteadores e agressores se parecem: cada um deles, a sua maneira, acha que tem o direito de dizer o que pensa a uma mulher estranha. Pode ser um elogio físico ou uma grosseria sexual, não importa. Em geral, trata-se daquilo que os americanos, apropriadamente, chamam de “atenção não solicitada”. Indesejada, na verdade. [...]
Esse assédio sobre as mulheres acontece à luz do dia, na porta do trabalho, na travessia de pedestres, dentro do ônibus. Às vezes o tom de voz do sujeito ou as coisas que ele diz amedrontam. Outras vezes dá asco ou dá vergonha. Nas baladas pode ser pior: o garanhão de calça agarradinha chega apertando o braço da moça, mexendo no cabelo, forçando a barra. Não aceita não como resposta. Mas quem deu licença a ele para dizer coisas e tocar o corpo de uma mulher desconhecida? [grifo meu]
Nós, homens, demos licença. A cultura machista nos dá licença.
[...] Não faz sentido, em pleno século 21, que nossas filhas, namoradas, irmãs ou amigas tenham de andar pelo mundo com os olhos no chão porque um bando de homens não se aguenta nas calças.
Ivan Martins, trechos do texto Cantadas ofendem.
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Mais de uma vez eu ouvi, sem querer, homens comentando com outras mulheres que quando trens e ônibus estão lotados eles dão uma “aproveitadinha” na situação. Leia-se: está lotado, eu aperto ou passo a mão, mesmo! Riem e acham graça, como se fosse algo normal.
Eu já passei por situações tão constrangedoras que, uma vez, eu chorei na plataforma do metrô. Sem falar nos absurdos que ouvimos e temos de sorrir, afinal, “é um elogio, não gostou por quê?”.
Não, rapazes. Não é elogio. É desrespeito. Aprendam, de uma vez, a não invadir o espaço que uma mulher não lhe deu.