A coragem de ser imperfeito (1)

[…] aprendi também que as pessoas que me amam, aquelas com quem realmente posso contar, nunca são os críticos que me apontam o dedo quando fracasso. Também não estão na arquibancada me assistindo. Elas estão comigo na arena, lutando por mim e segurando a minha mão.

Brené Brown, em “A coragem de ser imperfeito”.

Carta a uma seleção derrotada

O correto não é colocar o texto completo, mas apenas um trecho e depois inserir o link. Desculpa, mas dessa vez farei diferente porque é melhor lê-lo de uma vez, sem pausas. A autora é a Ruth Manus e seu blog é este. Segue o lindo lindo lindo texto!

* * *

Meninos,

(sim, meninos, porque quando uma seleção é eliminada na Copa do Mundo, não há mais homens no gramado. Há meninos. Com olhos vazios, sem rumo e sem qualquer indício de vergonha ou de pudor.)

Escrevo só para agradecer.

Agradecer porque vocês nos fizeram sentir o que há muito tempo não sentíamos.

O nervosismo. A voz embargada. Tensão. Alegria. Nó na garganta. Dor de garganta. Explosão. Tristeza. Desilusão. Um turbilhão de sentimentos condensados em 4 semanas.

Agradeço porque vocês conseguiram mexer com muitas emoções que andavam paradas. Bandeiras na janela por amor a um país (e não apenas a uma seleção), acima de qualquer outra questão.

Porque vocês fizeram mais do que colocar corações para bater mais forte. Vocês colocaram corações absolutamente brasileiros para bater.

Agradeço porque a cada jogo que passava, me sentia mais parecida com os desconhecidos na rua. Mais próxima do meu país, da minha gente.

Agradeço porque o desfecho traumático não anula a alegria vivida.

E por saber que vocês vão ter que encarar aqueles brasileiros de momento, que até ontem tinham orgulho e hoje já acham que “isso é Brasil”.

Mas não se preocupem, para nós também é difícil suportá-los. Tamo junto.

E o fato é que a tristeza é geral: do campo, do banco de reservas, da arquibancada, do sofá da sala, do banco do bar, da sarjeta.

Mas, por favor, entendam, nós não estamos tristes com vocês, estamos tristes JUNTO com vocês.

E tanto é assim que posso garantir que milhares de brasileiros queriam poder dar em vocês hoje o abraço que o David Luiz deu no James depois da eliminação da Colômbia.

Obrigada, meninos.

Obrigada por me lembrarem que eu nunca quis ser europeia. Alemã, holandesa, francesa, belga… Nem que me dessem um belo par de olhos claros.

Que o que eu quero sempre é minha camisa amarela, minhas emoções escancaradas, quero o choro embriagado de hoje, esquizofrenicamente orgulhoso de ser quem somos até quando estamos apanhando como apanhamos.

Abracem seus pais. Seus filhos. Suas mulheres. Seus amigos.

Façam isso por nós, que queríamos abraçá-los talvez até mais do que iríamos querer se ganhássemos a Copa.

E continuem sendo assim, brasileiros, acima de tudo.

No cabelo enrolado, nas danças no vestiário, nos abraços verdadeiros, nos choros sofridos, na oração sincera e na certeza de que, bem ou mal, a gente segue em frente.

7 a 1? Dane-se.

Vocês me representam. E não é pela bola que jogam, é pelos caras que são.

Ruth Manus, em “Carta a uma seleção derrotada”.
O link do texto, aqui.

Imunidade

– E ele anda sempre assim, em todos os lugares?

– Sempre.

– Mas como é que pode? – indagou ele descruzando as pernas e virando para encará-la.

Incrível o efeito que o “ele” em questão fazia em seus olhos.

– Você não sabe de nada, não é? – não, ele não sabia de nada perto dela.

– Sei sim.

– Ele é muito maior do que você está vendo. Só fica assim pequenininho porque está muito longe.

Na mesma hora ele junta o polegar e o indicador, fechando apenas um dos olhos. Ele cabia direitinho entre os dois. Como podia ser assim tão grande como ela dizia?

Para continuar lendo o texto, aqui.

Clarice Freire, em “Imunidade”.

Das Manifestações de Junho à Copa: a banalização da porrada como legado

Não se convence o outro a participar chamando-o de alienado e ignorante. É falsa dicotomia estabelecida entre curtir o futebol na Copa e defender direitos. [...] Nem sempre se pode ou se quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Afinal, perdemos entes queridos, ficamos doentes, temos problemas pessoais. Ou simplesmente estamos assistindo a um jogo. Muitas causas são válidas e não apenas as que tomamos para nós mesmos.

Sofrer com um jogo de futebol e sofrer com o desrespeito à dignidade alheia não são excludentes.

Leonardo Sakamoto, trechos de “Das Manifestações de Junho à Copa: a banalização da porrada como legado”.
Para ler o texto completo, aqui.

Primeira frase de um livro não escrito

“Criei o meu primeiro blog em 2003, o Olhos caramelos, título de uma música da extinta banda Penélope. Em 2007, mudei para o Carambolas azuis, que hoje tem outro propósito. Por fim, o Cássia Pires surgiu em 2010 porque resolvi escrever em meu próprio nome, mas o interrompi três anos e meio depois. Eu cansava e apagava o blog, ou mudava a ideia, ou criava outra coisa. Consequentemente, os textos publicados ao longo desses dez anos foram apagados.”

Esse é um trecho do prefácio do meu novo livro. Eu apaguei os meus textos da Internet, mas eles continuaram comigo. Resolvi retirá-los da gaveta, selecionei os meus preferidos e assim surgiu o “Primeira frase de um livro não escrito”.

Eu o lancei apenas em versão digital e para comprá-lo:
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É um livro pequeno, pouco mais de 100 páginas, mas guarda anos de escritos e memórias. Daqui em diante, escreverei especialmente para publicar e espero que seja apenas o começo.