O meu livro no blog “O pintassilgo”

Internet, Literatura

Em junho, lancei o livro Primeira frase de um livro não escrito, uma coletânea de textos que escrevi ao longo de dez anos.

Pouco tempo depois, li a resenha feita pela Juliana Brina, autora do blog literário O pintassilgo. Ela não apenas escreve sobre literatura, ela escreve de maneira literária. Ler a sua opinião sobre um livro é como se lêssemos um prolongamento da obra; ela consegue captar as intenções do autor. Pelo menos comigo, ela foi certeira. Fiquei tocada com suas palavras e finalmente me senti uma escritora. Obrigada, Juliana.

A bela resenha pode ser lida aqui.

O livro está disponível aqui e aqui.

Meus desacontecimentos (1)

Literatura

Pelas fábulas de família minha avó resgatava um pretérito que nunca teve. Se não era possível alcançar um amanhecer mais próximo de seus suspiros, ela compensava alinhavando seu antes com linhas bem coloridas, às vezes extravagantes. Minha avó sabia que, para algumas vidas, é mais fácil mudar o passado que o futuro.

Eliane Brum, trecho de “Meus desacontecimentos: a história da minha vida com as palavras”.

O livro e o filme: O Mágico de Oz

Cinema, Literatura

Texto publicado originalmente no Cineclube do Cinco, na coluna “O livro é melhor que o filme?”.

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(Há alguns spoilers, mesmo assim, o texto não acabará com a graça daqueles que não assistiram ao filme ou não leram o livro.)

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Livro: O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz), L. Frank Baum, Editora Zahar.
Filme: O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), direção de Victor Fleming, 1939.

O Mágico de Oz lançado em 1939 é uma adaptação do livro homônimo publicado em 1900, o primeiro de uma série de 13 livros.

Este foi o primeiro filme que assisti na vida. Eu era uma menina e, por incrível que pareça, ainda me lembro daquele momento. Li o livro quase 30 anos depois, para escrever este texto. Reassisti ao filme em seguida e me senti novamente uma criança. Eu havia viajado à Oz duas vezes, de maneiras bem diferentes.

Falarei brevemente sobre um exemplo de como é possível duas obras − literária e cinematográfica − estarem em pé de igualdade; não só, que adaptações de livros podem ser bem-realizadas mesmo com mudanças significativas na história.

O básico todos nós conhecemos: Dorothy é uma menina moradora do Kansas e, graças a um ciclone, ela e seu amado cachorrinho Totó viajam à Terra de Oz. O que ela quer é voltar para casa mas, para isso, deverá encontrar o Grande Mágico, o único que poderá resolver o seu problema. No caminho, ela encontra um espantalho, que deseja um cérebro; um homem de lata, que almeja um coração; e um leão covarde, que quer ter coragem. Eles seguem juntos para a Cidade das Esmeraldas a fim de realizarem os seus desejos.

No livro, a Cidade das Esmeraldas é um lugar bem distante. Eles passam por muitos percalços e encontram vários personagens pelo caminho. Há quatro bruxas e todas elas aparecem na história; apenas nos capítulos finais uma delas se torna a grande antagonista, a Bruxa Má do Oeste. Conhecemos os três companheiros de Dorothy mais a fundo. Descobrimos outros países e histórias de outros personagens. A Terra de Oz fica sendo nossa grande conhecida. Além disso, nada nos dá a entender que Dorothy está sonhando. É como se ela realmente estivesse em Oz.

No filme, a cidade é logo ali e não há tantos problemas. Desde o princípio, a Bruxa Má do Oeste é a antagonista e a responsável pelos obstáculos do caminho. O início é ampliado, conhecemos um pouco da vida de Dorothy e das pessoas com quem convive. Adiante, serão elas as principais personagens daquela terra distante. Por fim, é evidente que Dorothy bateu a cabeça e tudo não passa de um sonho.

Tanto o livro quanto o filme são muito bem amarrados. Há informações que aparecem no começo, são retomadas no meio e mencionadas no final. Além disso, há coerência entre os acontecimentos. Mesmo cortando alguns capítulos e vários acontecimentos do livro, o filme conseguiu transformar vários elementos em outros, sem perder a essência da história e sempre a favor do roteiro. É uma aula de adaptação.

No filme, os sapatos mágicos são de rubi. No livro, eles são de prata. A mudança não foi aleatória, mas só descobrirá quem ler o livro.

Uma das características mais significativas da linguagem do cinema utilizada a favor da história é a fotografia. No livro, o autor fala diversas vezes como ao redor de Dorothy tudo é sem cor: a pradaria, a casa, a tia Em, o tio Henry, todos são cinzentos. No filme, em momento algum a palavra cinza é mencionada, nós vemos que ela existe. Quando Dorothy chega à Oz, as cores explodem nos nossos olhos. O mesmo encantamento que ela sente, nós também sentimos. Nenhum livro no mundo nos daria essa sensação.

Em compensação, um filme não daria conta de tantos meandros sem tornar-se cansativo. No filme, nós conhecemos Oz. No livro, nós vamos à Oz.

Tanto um quanto o outro são obras para serem reencontradas ao longo da vida, para afagar a criança que, de alguma maneira, sempre carregaremos conosco.

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O que apenas o cinema nos proporciona: Dorothy cantando “Somewhere Over the Rainbow” e Totó quietinho, dando um show de interpretação.

Amigos até que a morte nos separe

Sociedade, Televisão

O grupo de amigos da série é uma rede de apoio afetivo marcada pela tolerância, as críticas são amorosas e eles sempre estarão uns pelos outros, como diz a música tema do seriado. Pequenos conflitos, erotismo e amor atravessam suas vidas, a ponto de formar dois casais entre eles, mas o tema central sempre diz respeito à preservação da amizade. Seu sucesso, para além do doce bom humor, é também o crescente prestígio desse laço, que é o grande vitorioso depois do ocaso da família extensa, do inverno dos patriarcas e do extermínio do casamento indissolúvel. Friends acabou, mas é inesquecível por retratar um tempo em que a amizade tornou-se o maior e mais duradouro tesouro de uma vida.

Diana L. Corso, trecho de “Amigos até que a morte nos separe”.
Para ler o texto completo, aqui.